Esgoto é Vida
Esgoto é Vida

» Não há Saúde sem Saneamento

Essa situação do setor de saneamento no Brasil tem conseqüências muito graves para a qualidade de vida da população, principalmente aquela mais pobre, residente na periferia das grandes cidades ou nas pequenas e médias cidades do interior.

Da população diretamente afetada, as crianças são as que mais sofrem.

Veja os números:

  • 65% das internações hospitalares de crianças menores de 10 anos estão associadas à falta de saneamento básico (BNDES, 1998);
  • a falta de saneamento básico é a principal responsável pela morte por diarréia de menores de 5 anos no Brasil (Jornal Folha de São Paulo - FSP, 17/dez/99);
  • em 1998, morreram 29 pessoas por dia no Brasil de doenças decorrentes de falta de água encanada, esgoto e coleta de lixo, segundo cálculos da FUNASA realizados a pedido do Jornal Folha de São Paulo (FSP, 16/jul/00);
  • a eficácia dos programas federais de combate à mortalidade infantil esbarra na falta de saneamento básico (FSP, 17/dez/99);
  • os índices de mortalidade infantil em geral caem 21% quando são feitos investimentos em saneamento básico (FSP, 17/dez/99);
  • as doenças decorrentes da falta de saneamento básico mataram, em 1998, mais gente do que a AIDS (FSP, 16/jul/00);
  • a utilização do soro caseiro, uma das principais armas para evitar a diarréia, só faz o efeito desejado se a água utilizada no preparo for limpa (FSP, 17/dez/99).

Resumindo:
15 crianças de 0 a 4 anos de idade morrem por dia no Brasil em decorrência da falta de saneamento básico, principalmente de esgoto sanitário (FUNASA-FSP, 16/jul/00).

Isto significa que:
Uma criança de 0 a 4 anos morre a cada 96 minutos em nosso país por falta de saneamento básico, mais precisamente, por falta de esgoto sanitário (FUNASA-FSP, 16/jul/00).

Falta Sáude

Outros países, principalmente os subdesenvolvidos, também sofrem com este problema. Reportagem publicada em uma das mais importantes revistas semanais brasileiras mostrou que a falta de saneamento básico ainda atinge uma parcela expressiva da população mundial, com conseqüências gravíssimas para as crianças:
(Veja, 22/dez/99)

  • 1 bilhão de pessoas não dispõem de água potável.
  • 1,8 bilhão não têm acesso a sanitários e esgoto.
  • 8 milhões de crianças morrem anualmente em decorrência de enfermidades relacionadas à falta de saneamento.

Isto representa:
913 crianças por hora, 15 por minuto ou uma a cada quatro segundos morrem no mundo por doenças relacionadas à falta de saneamento.

Os quadros a seguir mostram algumas doenças resultantes da ausência de esgoto sanitário ou de água adequadamente tratada.

Grupos de Doenças Formas de Transmissão Principais Doenças Relacionadas Formas de Prevenção
Feco-orais (não bacterianas) Contato de pessoa para pessoa, quando não se tem higiene pessoal e doméstica adequada.
  • Poliomielite
  • Hepatite tipo A
  • Giardíase
  • Disenteria amebiana
  • Diarréia por vírus
» Melhorar as moradias e as instalações sanitárias
» Implantar sistema de abastecimento de água
» Promover a educação sanitária
Feco-orais (bacterianas) Contato de pessoa para pessoa, ingestão e contato com alimentos contaminados e contato com fontes de águas contaminadas pelas fezes.
  • Febre tifóide
  • Febre paratifóide
  • Diarréias e disenterias bacterianas, como a cólera
» Implantar sistema adequado de disposição de esgotos melhorar as moradias e as instalações sanitárias
» Implantar sistema de abastecimento de água
» Promover a educação sanitária
Helmintos transmitidos pelo solo Ingestão de alimentos contaminados e contato da pele com o solo.
  • Ascaridíase (lombriga)
  • Tricuríase
  • Ancilostomíase (amarelão)
» Construir e manter limpas as instalações sanitárias
» Tratar os esgotos antes da disposição no solo
» Evitar contato direto da pele com o solo (usar calçado)
Tênias (solitárias) na carne de boi e de porco Ingestão de carne mal cozida de animais infectados
  • Teníase
  • Cisticercose
» Construir instalações sanitárias adequadas
» Tratar os esgotos antes da disposição no solo
» Inspecionar a carne e ter cuidados na sua preparação
Helmintos associados à água Contato da pele com água contaminada
  • Esquistossomose
» Construir instalações sanitárias adequadas
» Tratar os esgotos antes do lançamento em curso d’água
» Controlar os caramujos
» Evitar o contato com água contaminada
Insetos vetores relacionados com as fezes Procriação de insetos em locais contaminados pelas fezes
  • Filariose (elefantíase)
» Combater os insetos transmissores
» Eliminar condições que possam favorecer criadouros
» Evitar o contato com criadouros e utilizar meios de proteção individual
Grupos de Doenças Formas de Transmissão Principais Doenças Relacionadas Formas de Prevenção
Transmitidas pela via feco-oral (alimentos contaminados por fezes) O organismo patogênico (agente causador da doença) é ingerido.
  • Leptospirose
  • Amebíase
  • Hepatite infecciosa
  • Diarréias e disenterias, como a cólera e a giardíase
» Proteger e tratar as águas de abastecimento e evitar o uso de fontes contaminadas
» Fornecer água em quantidade adequada e promover a higiene pessoal, doméstica e dos alimentos.
Controladas pela limpeza com água A falta de água e a higiene pessoal insuficiente criam condições favoráveis para sua disseminação.
  • Infecções na pele e nos olhos, como o tracoma e o tifo relacionado com piolhos, e a escabiose
» Fornecer água em quantidade adequada e promover a higiene pessoal e doméstica
Associadas à água (uma parte do ciclo de vida do agente infeccioso ocorre em um animal aquático O patogênico penetra pela pele ou é ingerido.
  • Esquistossomose
» Adotar medidas adequadas para a disposição de esgotos
» Evitar o contato de pessoas com águas infectadas
» Proteger mananciais
» Combater o hospedeiro intermediário
Transmitidas por vetores que se relacionam com a água As doenças são propagadas por insetos que nascem na água ou picam perto dela.
  • Malária
  • Febre amarela
  • Dengue
  • Elefantíase
» Eliminar condições que possam favorecer criadouros
» Combater os insetos transmissores
» Evitar o contato com criadouros
» Utilizar meios de proteção individual
Poluentes Parâmetro de Caracterização Tipo de Esgotos Conseqüências
Patogênicos » Coliformes » Domésticos » Doenças de veiculação hídrica
Sólidos em suspensão » Sólidos em suspensão totais » Domésticos
» Industriais
» Problemas estéticos
» Depósitos de lodo
» Absorção de poluentes
» Proteção de patogênicos
Matéria orgânica biodegradável » Demanda bioquímica de oxigênio » Domésticos
» Industriais
» Consumo de oxigênio
» Mortandade de peixes
» Condições sépticas
Nutrientes » Nitrogênio
» Fósforo
» Domésticos
» Industriais
» Crescimento excessivo de algas
» Toxidade aos peixes
» Doenças em recém-nascidos (nitratos)
Compostos não-biodegradáveis » Pesticidas
» Detergentes
» Outros
» Industriais
» Agrícolas
» Toxidade
» Espumas
» Redução da transferência de oxigênio
» Não biodegradabilidade
» Maus odores

A coleta, o tratamento e a disposição ambientalmente adequada do esgoto sanitário são fundamentais para a melhoria do quadro de saúde da população do município.

Vale destacar que os investimentos em saneamento têm um efeito direto na redução dos gastos públicos com serviços de saúde, segundo a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

Para cada R$ 1,00 (um real) investido no setor de saneamento economiza-se R$ 4,00 (quatro reais) na área de medicina curativa.

As figuras 1 e 2 ajudam a visualizar o processo de transmissão de doenças através da água contaminada.

Na figura 1, observa-se que o esgoto não coletado contamina os corpos d’água e o solo, criando um ambiente propício à propagação de microorganismos patogênicos que, por sua vez, contaminam o córrego de onde a água para consumo na residência é captada.

Na figura 2, aparece um sistema de saneamento com instalações sanitárias, coleta, tratamento e disposição final adequada do esgoto, onde não se registra a presença de microorganismos patogênicos na água do córrego que serve como fonte de abastecimento humano.

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